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    Bexiguinha off

    Quarta-feira pela manhã, internação feita, resolvi mergulhar fundo no livro “Clarice,” que havia interrompido sei lá por quê.

    Mas tinha o pessoal da enfermagem, ops.

    E entrevista, e confere jejum, e bota fleet enema (argh!) e camisola do centro cirúrgico, pulseira de identificação, e coisa e tal.

    Entram as filhas, elas, sempre.

    Papeamos pouco, trocamos meia dúzia de olhares e estava tudo dito.

    No mais foi rir, e muito.

    O tiozinho que empurrava a maca era totalmente fora da barraca, claro.

    Trapaiado, batendo a dita cuja em tudo que era canto.

    E assim foi.

    Antes, nos despedimos querendo fingir coragem, de todos os lados.

    Que nada, eu estava totalmente aterrorizada.

    Entrei assim, em pânico, na sala de cirurgia, mal consegui falar uma ou outra coisa com o cirurgião.

    Anestesista ultra bacana, jeito de doce de pessoa.

    “Propofol já!”, foi a única coisa que consegui dizer.

    Acharam que eu tava tirando sarro.

    Fui apagando devagar, mas providenciei um pensamento firme nas minhas filhas. Se eu não voltasse, a lembrança daqueles sorrisos rasgados iria comigo prá qualquer canto.

    Assim, eu não precisaria abrir os olhos e nem estar, para tê-las dentro de mim.

    Senti vontade de chorar, mas só me lembro de rir muito, vendo aqueles dois rostos tão lindos me olhando fixamente, um ao lado do outro.

    Elas estavam felizes, riam daquele jeito de fazer covinhas nas bochechas, os olhos ficando miúdos, parecendo que iam explodir a qualquer momento.

    Quando acordei, na sala de recuperação, um velho amigo, médico, olhava meu prontuário curiosamente.

    Senti um conforto enorme, ele estava ali conferindo tudo, e tinha vindo.

    Como havia prometido.

    Já no quarto, entram de novo as meninas.

    Olhos apavorados, ansiosas, a espera sem notícias tinha sido difícil.

    Ficaram ao meu lado durante todo o tempo, nesses quatro dias.

    E estão, como sempre, aqui dentro.

    Mas já voltaram para seu canto.

    E estão novamente soltas no mundo, meus melhores pedaços.



    Escrito por Gisele Queen Kong às 15h48
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