Manaus
Tô aqui em Manaus, num calor da peste... bubônica. Sabe aquelas chuvas todas e a inundação que houve por aqui? Pois o Rio Negro atingiu o maior nível de toda a sua história, que está registrado em um paredão, com marcos de todos os anos, no porto da cidade. Some isso à um elevado grau de umidade do ar, mais um calor infernal e teremos a minha rotina aqui: suar, feder, pingar. Hoje ouvi de uma das alunas que aqui há 4 estações no ano: verão, calor, mormaço e quentura. Sim, eu vim prá dar aulas no curso de especialização em estomaterapia da UEA. Estou num hotel dividindo o quarto com a Fer, velha amiga e aluna de muitos anos. Obviamente que a gente se mata de rir nas horas vagas. Mas vamos do começo: peguei um bus da Azul Linhas Aéreas no xopicentis de Sorocaba, até Viracopos, na sexta-feira à noitinha. Em uma hora estava fazendo o check-in com funcionários ultra super mega power gentis e competentes. Vôo perfeito, aeronaves novas construídas pela EMBRAER, com duas fileiras de poltronas com maior espaço para as pernas. Num tem aquele carrinho tosco de comidas, as aeromoças anotam seu pedido e te levam na bandeja de vime as bebidas e os beliscos. Na quantidade que a gente quiser. Amei o serviço prestado, agora só irei de Azul, sempre que puder. Só viajo de outra companhia se essa não fizer o roteiro. Escapo do trânsito de Sampa e volto direto pro meu cafofo, descansada. Bem, voltemos à essa terra linda aqui. No sábado cedo fui até o píer do hotel Tropical onde embarquei para um passeio para ver o Encontro das Águas. Navegamos pelo rio Negro até chegarmos ao Solimões, uma área extensa onde se vê nitidamente a diferença das águas cor de chá e quentes do primeiro, no encontro com as águas barrentas e geladas do segundo. Muito rapidamente nós vimos um boto dar um salto perto do barco. Foi uma perda de fôlego geral. Muito lindo, depois de fotas e de encher meus olhos com aquelas imagens que jamais vou esquecer, o guia nos levou prá um restaurante flutuante, onde tivemos um almoço perfeito: baião de dois, tambaqui ensopado, tucunaré frito, pirarucu assado, saladas, sucos de frutas, abacaxi e uma banana em calda de comer de joelhos. De lá fomos para um passeio em barquinhos, no meio da mata alagada. Vitória-régia, árvores seculares e enormes, pura emoção. Fui sozinha em todo esse passeio, quietinha, Bem, as frutas daqui são fantásticas, o abacaxi e seu suco são de um gosto maravilhoso, e eu tomo em jarras. Castanha da Amazônia (o nome mudou, sabia?), tucumã (adorei), açaí (com trypanosoma, claro), um sorvete de doce de cupuaçu com castanhas que tomei quase de olhos fechados. A recepção das amigas e alunas é deliciosa, a cidade não é muito bem cuidada, o calor é infernal, o trânsito aqui já é fodido, o batente está bem legal mas, o que mais me fascina é que eu me sinto em contato com a verdadeira essência do meu país: o povo daqui, os hábitos, os alimentos, tudo era assim no começo. Antes dos portugueses, dos negros e dos imigrantes o meu país era habitado por gente com rostos parecidos com os daqui. Então estou curtindo cada coisa, as imagens, os sabores, as sensações, fazendo o meu mergulho nessa terra. Amanhã volto ao batente, que aqui começa às 7h, então vou fazer uma naninha. Hoje o cansaço das aulas pesadas desde o domingo e das novidades é tanto, que num consigo nem esperar prá ver a tonta da Maya fazer aquela cara de vítima... E os micos? Teve um montão, claro. Principalmente porque ando meio trapaiada, no meu quarto dia sem cigarro. Mas só conto depois, já que hoje estou fazendo minha versão bem comportada, tá?
Escrito por Gisele Queen Kong às 20h46
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Back again
Vou resumir um tanto tudo o que rolou desde o último post, venha comigo: Ida para Taubaté, que foi tudo certinho, aula legal, alunos idem. Revi minhas amigas Ângela e Ana e papeamos bastante à noite, após a aula. No dia seguinte, volta prá casa, sem errar o caminho. Não sei se sinalizaram melhor aquela rotatória de Campinas, mas agora vou e volto numa boa. Manu entrou em Relações Internacionais na PUC/SP e todos comemoramos muito. Ela fez um bom trabalho nesse último ano, mereceu o resultado. Fiz sua matrícula que exigia a minha presença, pela bolsa dissídio e, na confusão toda perdi o vôo prá BH das 18h. No problem, tem um às 22h, que vai prá Brasília e depois BH. Facinho, né? Mais 50 mangos e entrei na roubada. Cheguei no hotel à uma da madrugada, totalmente cansada. Aula no sábado todinho, banho e cama. No dia seguinte fui na tal da maior feira de artesanato da América Latina, na Afonso Pena. Nada interessante, comprei coisas muito mais legais nas lojas do aeroporto. Daí sim, começaram as férias. Finalmente fechei a venda da casa, tudo liquidado. Viajamos prá Paraty, eu e as meninas. Foi uma delícia, passeamos muito, banho de mar, pouca chuva, compras pro novo apê e o melhor de tudo: nossa primeira viagem de mãe e suas duas filhas moças. Uma experiência melhor do que nos meus melhores sonhos. E achei lá, escondidinho numa lojinha de fundo de quintal, outro dos meus sonhos, um tapete Kilim Afegan maravilhoso, colorido, exatamente do tamanho que eu precisava prá minha sala nova. Sem contar que, como tinha encalhado depois da FLIP, o preço foi lá embaixo. Muito rústico, desenhos geométricos, os barrados diferentes, absolutamente típico. Deu uma cor e uma descontração na sala, e certamente traz uma história nas suas tramas, que fico tentando imaginar, sempre que me sento á toa... Por baixo da etiqueta do importador tinha um pedacinho de fita adesiva meio amarelado, escrito na língua deles, certamente era o preço. Guardei tudo na minha caixinha de relíquias, morta de feliz. Depois disso fomos prá casa da minha mãe, novamente as três. Curti bastante o colo da minha linda, papos com a irmã, a sobrinha que terá um bebê em setembro, foi bem gostoso. Estamos todas ansiosas prá conhecer nossa Yasmin, tão esperada!!!! Na volta namorei bastante, passeei com as fiotas por Sampa, voltei ao trabalho aos poucos, somente na clínica, pois a gripe estendeu as férias na facu. No dia 02 de agosto assumi o cargo de chefe de departamento de Ciências Fisiológicas aqui na PUC, numa cerimônia em SP. Fomos eu e o Zé, e a Bia me fez uma surpresa, chegando lá antes de mim. Uma delícia poder curtir isso com ela, que esteve tão presente nesses tempos. Ontem ela começou um curso de aprimoramento fora da facu, estava muito animada, pois sentiu que vai aprender bastante. Continua fazendo sua pesquisa, cozinhando gostoso e vindo tomar seus cafezinhos comigo. Manu está ótima, bem no trampo, ansiosa pela faculdade, curtindo as folgas com amigos e avançando em todas as mudanças às quais se propôs. Isso me faz muito feliz e podre de orgulhosa, essas duas foram mesmo encomendadas... E eu comecei definitivamente a fazer academia. Fiz um plano anual, assinei contrato e tenho feito aulas de hidroginástica power e alongamento. O Pilates começo nessa semana. Tenho comido menos, estou dormindo muito melhor e comecei o tratamento prá parar de fumar. Na semana passada finalmente chegaram os móveis da sala, ficaram maravilhosos, clarinhos, modernos. Nessa semana fui fazer uma palestra num evento do HSPE em Sampa, e aproveitei prá matar a saudade do Zé, que tá trabalhando feito louco. O evento foi bem legal, revi um tantão de amigas queridas, e conversamos um pouco sobre a perda de outra amiga, a Eutalia. Era a estatística da EEUSP, devo a ela o meu doutorado, trabalhou arduamente ao meu lado, abriu mão de férias, me ensinou a entender o significado daqueles números todos. Morreu sozinha no hospital, enfrentando em silêncio uma metástase de um câncer que jamais chegou a comentar. Uma guerreira, estava com a passagem comprada prá embarcar pros EUA e fazer seu pós-doc, deixou roupas para buscar com uma costureira, estava vivendo cada dia de uma vez, como sempre fazia. Infelizmente não tive tempo de dar-lhe mais um abraço mas, em nosso último encontro eu ainda lhe disse o quanto era grata por tudo que havia feito por mim e que ela era uma amiga que morava em meu coração. Rimos muito naquele dia, e tenho a certeza de que ainda vamos nos encontrar mais vezes, e rir mais ainda. É só uma questão de tempo. E tivemos uma reunião da Confra, um tanto excepcional. Somente a Ivana cozinhou, fez uma sopa creme de brie, prá aquecer os corações. Decidimos nos reunir prá acolher uma amiga que está separando e essa mudança foi a melhor decisão. A nossa sintonia era tanta que ninguém se incomodou de comer uma sobremesa pronta, Miss Daisy, que tava bem boa. E a próxima reunião será em meu novo cafofo, vou receber as amigas prá beber, comer e papear em minha micro-cozinha e pequenina sala. Ao menos será muito mais acolhedor... e serão as primeiras visitas que recebo desde que me mudei. Mas a semana está só começando, e ainda tenho muito prá contar. Vai ficar pro próximo post, né?!
Escrito por Gisele Queen Kong às 18h03
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