Que nesses dias de festas todos nós possamos desfrutar da companhia alegre e divertida de nossos amigos e familiares em harmonia.
Que o alimento preparado com carinho e cuidado não seja apenas a única motivação de nossos encontros.
Que todos possam se aproximar mais e mais.
Que os afetos estejam todos organizados em nossas almas, resolvendo as mágoas e abrindo espaços para o perdão.
Que todas as crenças se alinhem em torno de sua verdadeira origem: o amor por aqueles que nos cercam.
Que cada um de nós, à sua maneira, possa reservar um momento de prece e silêncio, em que volte seu pensamento e suas vibrações para o agradecimento por todas as conquistas obtidas, e para enviar bençãos para aqueles que se encontram em aflição.
E que a paz envolva nossas almas, nas festas e muito depois delas.
Hoje, amanhã e sempre.
Pois sem ela não é possível desfrutar o amor, as guloseimas, os amigos, os encontros, nem nada que possamos conquistar.
Mas que seja aquela paz que todos nós sabemos ser possível: a que nos permite estar em sintonia com a nossa canção.
Apenas uns atendimentos na clínica à tarde, várias coisinhas prá cuidar pela casa, e desligar os botões da função laborativa enfermeirística.
Lógico que sempre tem uma dorzinha de cabeça ou estômago aqui e ali, uma pereba que surgiu em uma filha, mas nada que exija muito raciocínio.
É só manter o carro do SAMU com UTI móvel na porta de casa, disposto a atender às topadas que a Bia costuma dar com os dedinhões do pé nas escadas, e boa.
Sim, porque cada vez que ela enfia a fuça num vidro, sai berrando que nem uma sirene da puliça.
Ah, e vou ajudar a segurar a onda da Manu, que vai checar a primeira chamada do vestiba da PUCSP e NÃO verá o seu lindo nome por lá.
Deus sabe o que faz, se não for, não será.
Mas ela ainda num entende isso, então hoje estará muito decepcionada.
Vou ao cabelereiro, à manicure e depilação, depois vou comprar presente de casamento, pois amanhã seremos padrinhos de uma ex-aluna e orientanda minha.
E me enfeitar e preparar todinha, que no final da tarde o "Lovinho" chega.
Findi animadex com filhas de férias, genro em casa, somente nos preparativos pro Natal.
Vamos prá casa dos meus pais dia 23, mas o namorado vai passar as comemorações natalinas com os pais dele.
Retorno no dia 26 à tardinha, quando ele volta para cá.
Daí ficaremos juntos e sozinhos até dia 04 janeiro, pois a fiarada vai viajar no Reveião.
Já imaginou o tamanho da diversão?
Pois você num faz nem idéia...
Mas eu já tô fazendo meus planinhos malignos...
Vou me esticar ao sol naquela modalidade lagartixa deprimida, enquanto zanzo entre a rede, a cama e o sofá.
Ai, que lombra tá me dando só de pensar.
Será que terei energia suficiente prá acender um cigarro?
E pegar água na cozinha?
Putz, lavar a bunda vai ser muito custoso, mesmo.
E tenho minhas duas tartas prá cuidar.
Dão tanto trabalho aquelas bichinhas!
Ainda bem que tenho o Lovinho prá ajudar, senão seria impossível dar conta de tantas atividades...
Vixe, já tá baixando um Macunaíma em meu minúsculo ser, desde já.
Vou alimentá-lo e já volto, tá bão?
Se Morpheu não me impedir, ainda posto algumas linhas na segunda.
Quarta passada, como eu já disse, foi o último dia de atendimento deste ano, no Ambulis.
Foi um ano de grandes batalhas, com o objetivo de aprendizado, assistência, ensino e pesquisa.
Cumprimos nossas tarefas com dignidade e competência e, de quebra, muito bom humor.
Alunas aplicadas (quase todas), pacientes cheios de vontade de melhorar sua condição de vida, familiares que cooperaram (alguns à sua maneira, é claro), instituição relutante, entrosamento total.
O resultado disso está na fota de despedida: graduandas com olhos de ansiedade e busca de colocação no mercado de trabalho, outras com olhinhos de alegria pelo muito que conquistaram, outros olhos brilhando pelo brilho do flash.
Eu feliz e tentando organizar o time, enquanto agarro (como sempre) o Toni.
Esse é simplesmente o melhor fisioterapeuta que eu conheço.
Simples, competente, modesto, dedicado, empenhado, envolvido, safado, divertido e canalha ao extremo.
Se um paciente tem condições neuro-musculares de recuperar movimentos, com ele vai conseguir.
Tem um defeito, claro: é palmeirense.
Mas supera isso me agarrando sempre pelo seu lado direito, aquele que, segundo ele, é seu lado solteiro.
No esquerdo tem uma aliança.
Que todas ignoram, lógico.
Inclusive ele.
Nossa meta para 2009 será manter o nível do trabalho e providenciar um "cata" num armário de roupas limpas do corredor.
De minha parte, prometo fazer o possível.
Vamos ver se o papudo aguenta o tranco...
Quanto aos monitores, deixo aqui o meu recado:
Um dia, quando passar o tempo das ilusões, vocês perceberão a grandeza daquele trabalhinho com cara de mixuruca e a importância de todo o aprendizado.
Nesse dia, recebam novamente o meu abraço e a minha eterna gratidão.
Um beijo enorme e a certeza de que, sempre que precisarem, estarei à disposição para o que der e vier.
Hoje é quarta-feira, aquele dia que fica no meio da semana, atrapalhando que nem cabaço.
Aliás, aqui em casa, quando alguém faz isso, a gente chama de.... quarta-feira!!!
Acontece que hoje será o último dia de atendimento no ambulatório, depois sairemos de férias, retornando ao final de janeiro.
Então, teremos um cabaço especial.
Depois da função faremos um répiauer nos conformes, aquele bando de muiés ensandecidas, cheias de tragédias circulando pela cabeça, que estará devidamente preenchida de álcool.
Aliás, só com álcool prá segurar aquela onda. Acho que vou instituir o consumo de uma dose de branquinha antes do trampo, pro ano que vem.
Falta material, falta aluna, falta funcionária, a moça da limpeza dá uns perdidos fortes, falta agenda.
Mas sempre sobra paciente.
E, como diria um velho amigo: ainda bem que tem, né?
Sem eles a gente num teria razão de trampar.
Então, por mais difícil que seja, vou passar as férias descansando e fazendo planos.
Pro próximo ano, quando retornarei cheia de novidades.
Duvida? Veja as duas fotas abaixo, prá dizer que num tenho razão...
Conheci o Rabino Nilton Bonder há dez anos atrás, e fiquei bastante entusiasmada com sua lucidez.
Sempre leio algo que ele escreve, e hoje esse texto super oportuno me chegou às mãos.
Deu vontade de partilhar aqui.
Espero que você goste tanto quanto eu gostei...
OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS
Feriado - dia de respeito e atenção a si e à vida...
Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar.
E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme.
As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair: - literalmente, ficar desatento; - é um dia de atenção, - de ser atencioso consigo e com sua vida.
A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: 'o que vamos fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade.
E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria -o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada.
A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.